Essa é a diferença entre Moisés e Hamurabi.
Então o furor de Davi se acendeu em grande maneira contra aquele homem, e disse a Natã: Vive o Senhor, que digno de morte é o homem que fez isso. (II Samuel 12:5 acf)
Então disse Natã a Davi: Tu és este homem. (II Samuel 12:7 acf)
Já ouvimos alguns pregadores explicarem este trecho de formas variadas.
Uns disseram que o profeta Natã teve que montar uma ilustração porque se chegasse acusando o pecado de Davi logo de cara, podia ser morto por Davi.
Outros disseram que foi uma estratégia de sustentação oral, para fazer Davi entender.
Porém hoje, somos levados a entender outro motivo para o profeta Natã usar uma ilustração para exortar Davi.
O motivo seria o da instrução de que a nossa justiça própria é ineficaz.
Davi cobiçou uma mulher casada, mandou que lhe trouxessem, adulterou e mandou o marido para morrer numa batalha contra um povo inimigo de Israel.
O profeta Natã chegou a Davi, contou uma ilustração sobre um homem que era rico e tinha muitas cordeiras, que rouba uma cordeira de um homem que era pobre e tinha uma só.
Davi na época era rei e tinha também o papel de juiz.
Ao ouvir o caso, Davi com sua justiça própria diz que o homem deveria morrer.
Natã responde:
Esse homem é você!
Se a justiça própria fosse eficaz, o primeiro a ser beneficiado seria nós mesmos.
Mas no caso de Davi, a justiça própria humana mostra toda sua ineficácia, com o fato de não conseguir causar efeito em si mesmo.
Se aquela ilustração fosse um caso real, a justiça própria de Davi iria ser aplicada a um homem distante, sendo que a um palmo de distância estava seu próprio erro clamando por justiça, mas ele não via.
Para isso Deus mandou o profeta Natã.
A ineficácia de justiça própria ou a eficácia da injustiça própria?
O que reprovou a conduta de Davi?
Uma lei, não cobiçar a mulher do próximo, não adulterar e não matar.
A Palavra do SENHOR.
Davi foi rei e juiz, estava submetido a uma Lei.
Atualmente no Brasil, nem todos homens estão submetidos à mesma lei.
Por isso, costumamos enfatizar que a Lei mosaica era muito superior ao código de Hamurabi (conjunto de leis da Mesopotâmia).
Estas leis eram suscetíveis a desigualdades sociais porque as penas variavam de acordo com as classes sociais.
O Brasil e seus flertes com o código de Hamurabi.
Um cidadão comum está submetido ao código de processo penal (CPP), enquanto que um juiz está submetido a Loman (lei da magistratura nacional).
Juízes e advogados no Brasil têm foro privilegiado (só podem ser julgados por tribunais específicos).
A constituição federal diz que isso é para eles não serem "pressionados" e proteger o exercício dos cargos.
Só não explica:
Proteger de quê ou de quem?
E porquê.
Recentemente vimos numa página de círculo jurídico a seguinte postagem:
"O que é direito?
Depende!".
O post explicava sobre positivismo exegético e outras técnicas usadas por juízes na hora de dar sentenças.
Muita gente nos comentários estava concordando.
Aí está o problema do setor jurídico brasileiro.
O magistrado se tornou acima da lei ou a lei se revelou frágil, dúbia e imoral a ponto de precisar de um magistrado intelectual ou supostamente estudioso ganhando um salário de 41 mil reais para ser interpretada e ter credibilidade?
Na teoria, o CNJ deveria fiscalizar os juízes, mas a lei de açúcar diz que eles só podem ser presos se cometerem crimes inafiançáveis.
Dar sentenças que prejudicam um grupo e favorece outro, visivelmente visto nas jurisprudências, mostra segregação social.
Mas ainda não vimos muitos togados algemados.
A lei brasileira precisa de correções, o superior tribunal também, mas principalmente a cultura jurídica nos tribunais estaduais.
Talvez assim, não iríamos ouvir mais frases como:
"Ninguém está mais ganhando processo contra a light, águas do Rio, INSS, governo do Estado e etc".
Poderes, cargos e instituições super protegidas.
Essa é a diferença entre Moisés e Hamurabi.
O que é direito?
A resposta deveria ser:
Algo que regula igualmente a mim, você e quem dá a sentença.
Como no caso de Davi.
Para um Estado ser forte, o poder deveria estar na Lei e não no ser.
Por isso, no mundo reina a hipocrisia em todos Estados.
No Brasil, abuso de poder não é inafiançável e isso diz tudo.
Olha Hamurabi de novo aí gente!
"Não toque na minha discricionariedade!"
Disse o fidalgo.
"O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente" .
(Lord Acton).
Vira e volta vão ter propagandas nos tiks e estragãos da vida sobre ações de órgãos de fiscalização dando palmadinhas no bumbum de magistrados, dando "dura" em postos de gasolina e flanelinhas.
Mas isso é só propaganda hipócrita.
Eles escolhem crimes de menor potencial para serem super heróis lutando contra ladrões de galinha.
No Brasil tem 19 mil juízes, 45 mil postos de gasolina, e quantos flanelinhas?
Não riam!
Precisamos de uma lei forte, não de propagandas e hipocrisia.
Que Deus me livre da ineficácia da justiça própria e faça minha justiça ser minha fé em Cristo.
Para me arrepender como Davi.
Marcos servo de Cristo.
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