Feliz Pessach!

Páscoa em português, פֶסַח em hebraico. 
O dia pode parecer doce como chocolate e calmo como feriado, mas era uma refeição às pressas. 
A instrução era: 

Cardápio de Cordeiro, pão sem fermento e ervas amargas. Descritos em Êxodo 12. O texto é muito satisfatório em sua leitura, além do cordeiro, pão ázimo e frutas amargas; discorre sobre o Juiz, uma Lei imparcial, a prestação de um culto, uma didática para crianças e o Sangue. 

Numa cidade violenta como a nossa, falar de chocolate é mais doce, lucrativo e poético, mas na ausência de sangue inexiste a Páscoa. 

A data foi determinada por Deus, para que Moisés orientasse um povo num assunto polêmico e desconfortável; a mudança de uma cultura adquirida em 430 anos. O mesmo que no ano de 2026 chegar alguém e dizer que toda nossa herança cultural portuguesa, desde do ano 1500 precisa ser mudada. 

Vamos falar de cordeiro, pães sem fermento, frutas amargas, Juiz, Lei e sangue de forma decrescente. 

O sangue. 
A ordem para a Páscoa era pegar hissopo, embeber no sangue do cordeiro sacrificado e passar nos umbrais das portas dos israelitas que moravam no Egito. 
Israel ainda não tinha um Estado geográfico, foi uma família de origem da Mesopotâmia que viajou de lugar em lugar até chegar ao Egito onde essa família cresceu e se tornou um povo em território egípcio. 
Lá esta família e povo se tornaram uma classe inferior, escrava. 
Numa nação politeísta que adorava mais de 1500 deuses. 
Provavelmente, na cidade onde os israelitas moravam, havia 10 deuses principais regionais. 
O texto bíblico relata 10 pragas ou castigos de Deus aplicados na região do Egito e palácio de faraó, onde moravam os israelitas, com intuito de endurecer o coração de faraó e mostrar o castigo contra pessoas de coração duro, sendo faraó (rei local ) ou não. 
Deus podia escolher a alta classe para mostrar sua misericórdia, mas escolheu os escravos mais baixos. 
Aqui não se trata de parcialidade, sionismo, nacionalismo. 
É Deus mostrando seus atributos e padrão de defender os mais fracos quando oprimidos, castigar injustiças e idolatria. 
Então antes da décima praga que era a morte de todo primogênito do Egito, é instituída a celebração da Páscoa. 
Sangue do cordeiro sacrificado por cada família foi passado nos umbrais das portas para a noite, quando passava o anjo destruição que matou os primogênitos, pulasse as casas marcadas com sangue. 
Páscoa significa passagem, travessia ou pular algo e não é doce como chocolate. 
Não é pulo do coelho, é pulo de casas pelo anjo da destruição poupando vidas e castigando outras. 
Os casas egípcias da época tinham palavras mágicas escritas nos umbrais das portas para afastar males (tipo espada de são Jorge, ou olho de boi no copo d'água para o misticismo brasileiro). Essa palavras mágicas não funcionaram e por isso o sangue no umbral marcava mas também cobria as marcas de uma idolatria. 
Por isso, nos sarcófagos como o de Tutancâmon encontrados em sítios arqueológicos têm estas miniaturas de portas com inscrições nos umbrais. 
A arqueologia confronta os céticos que chamam o Êxodo de fábula. 
E qualquer semelhança com Sargão ou código de Hamurabi não é mera coincidência, é uma vasta discrepância. 
As histórias mais antigas nem sempre estão nos livros mais preservados. 
Sendo argila ou pergaminhos, uns duram mais, outros menos.
 
A Lei. 
Deus disse a Moisés: 
Uma mesma Lei para o natural e o estrangeiro. 
Avisando anteriormente os mandamentos que seriam entregues após a saída do Egito. 
Mandamentos para prática viva, não como o livro dos mortos dos egípcios. Uma regra de ética e moralidade viva e imparcial, não como o código de Hamurabi que protegia mais os com maior poder econômico. 

O Juiz. 
Deus disse a Moisés que aplicaria o juízo sobre o Egito com a morte dos primogênitos. 
Deus depois também disse que aplicaria o juízo sobre os israelitas se cometessem idolatria e injustiças. 
Tudo que uma vítima de crime quer hoje, um juiz que prenda o criminoso, tudo que um criminoso quer hoje, um juiz que o solte. 
Porém, em Êxodo, o Juiz é justo e imparcial. 

As frutas amargas. 
Eram comidas na Páscoa para lembrar da amargura e dor da escravidão no Egito. 

Pães sem fermento. 
Eram comidos para lembrar da pressa ao sair do Egito, não apego a coisas materiais, santificação e dependência de Deus. 
O pão no antigo Egito era alimento cotidiano, era usado como salário de escravos, também para fazer separação de classes sociais; uma vez que o Estado controlava os grãos. 
Inclusive no Egito foi inventado o fermento para aumentar tamanho e quantidade de pães. 
Os pães anteriores usados por povos não egípcios tinham mais a função de alimento para peregrinos usados pessoalmente somente. 

O Cordeiro. 
Tinha que ser de um ano de idade, separado no dia 10 do primeiro mês, sacrificado e comido no dia 14, somente até o dia 15. 
Um cordeiro para cada família e se um fosse muito, se dividia com o vizinho para não ter desperdício. 
O Cordeiro na época era usado como pele para aquecer (lã), proteína para comer, leite para beber e animal para sacrifício pelos pecados de alguém. 
Resumindo, um Cordeiro era tudo que alguém precisava. 
Se fosse no Brasil, poderia ser uma vaca, numa tribo indígena uma paca. 

Jesus também celebrou uma Páscoa e disse que desejou ansiosamente fazer isso com os discípulos antes de padecer a crucificação. 
Disse também que celebrará outra Páscoa quando cumprir o Reino de Deus. 
(Em Mateus 22.15). 

No final, a Páscoa será assim: 

Então ouvi uma forte voz dos céus, que dizia:
"Agora veio a salvação,
o poder e o Reino
do nosso Deus,
e a autoridade do seu Cristo,
pois foi lançado fora
o acusador
dos nossos irmãos,
que os acusa diante
do nosso Deus, dia e noite.

Eles o venceram
pelo sangue do Cordeiro
e pela palavra do testemunho
que deram;
diante da morte,
não amaram a própria vida. 
Apocalipse 12.10-11. 

Este texto foi baseado em Êxodo 12.. 




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